Por vezes nada faz sentido, nem isto.

A máquina parou, 
Tiro a roupa e vejo a rapidez com que seca, 
O luar está escondido, 
O gato corre, salta
E a água cai. 
Do alto do estendal, não parte, espalha-se, 
Era pequena, 
A lua que se vê, 
Está escondida tal como o resto,
O que se vê escondido,
Aparece a fugir o gato, 
Pequeno, a gota cai, outra.
Iluminado o estendal, corre o gato, 
Deita abaixo a roupa, 
No chão iluminadamente molhado, 
Pela água que a lua vê, 
Pela água que a sombra reflete, 
Espalhou-se. O gato continua a correr, 
Sem tropeços, iluminado. 
Esconde-se a lua com nuvens andantes, 
Altas e escuras, com água, cai a gota. 
O açúcar frio mistura-se solenemente com o café
Quente, o ambiente frio arrefece, 
A chávena refresca, o cigarro aconchega, 
O dedo amarelo, açúcar branco, a gota passou a muitas, a roupa está seca, 
O café frio, 
O cigarro apagado, 
O gato cansado, 
Tudo pára. A água cai. a lua apagou-se, 
Deu o brilho á nuvem opaca. 

Finjo, fingir

Finjo, 
Da melhor maneira, 
Escondido, 
Finjo.

Finjo a fingir, 
Finjo a pensar, 
Vou fingindo. 

Finjo a eternidade, 
Finjo, temendo, o fingimento.
Vou fingindo, 
Vivo, vivendo, mas fingindo. 

Aos poucos me vou

Aos poucos vou morrendo, 
Aos poucos vou nesta terra, 
Aos poucos vou andando, 
Aos poucos me vou. 

Aos pouco vivo, 
Aos poucos sinto sem sentido,
Aos poucos penso sem pensar,
Aos poucos me vou. 

Aos poucos experimento, 
Aos poucos conheço, 
Aos poucos vou desejando, 
Aos poucos me vou. 

Aos poucos fico, 
Aos poucos desisto, 
Aos poucos vou, 
Andando, correndo, desaparecendo. 

DotsCascade, o meu novo jogo para Android


DotsCascade é o meu novo jogo para android, é estupido, tal como o nome. Quem seria que ás 4 e tal da manhã duma noite normal, pensaria neste nome, ou até em acabar um projeto iniciado naquela mesma noite ? Bem, pelos vistos, há algum, eu.

Vamos ao que interessa, o jogo consiste em fazer corresponder a cor do 'ponto' na parte central inferior do ecrã, o 'ponto' maior, com a cor dos pontos que vão caindo, os pontos 'mais pequenos'.

Vejamos um print:

Nesse caso, se eu não deixasse de clicar no ecrã, iria perder o jogo. (tal como aconteceu...)

Agora, um outro caso, em que não perdi:

Deixo o desafio aos meus raros leitores (sim, acredita (ou acreditem, não sei bem se alguém alem de mim lê o blog), são mesmo poucos os leitores) de publicarem print com os respetivos scores. Estejam atentos, mais jogos virão. 

LINK PLAYSTORE: PlayStore - Android

Mais um, e outro, mas porquê?



Puxo de mais um cigarro,
Penso, tremo, suspiro,
Acendo-o e levo-o á boca,
Deixando que me mate devagar, 
Que me tranquilize o pensar.

Mais uma vez suspiro,
Olho para o tempo que parece apressado, 
Olho para o isqueiro roubado
E penso,
"Porquê, porquê e porquê ? "

Porque é que esta merda, 
Esta coisa virtual
Que interage com o real, 
Que afeta o pensar, 
Que iria tranquilizar, 
Que me iria realizar, 
Que iria compilar, 
Que iria amar, 
Que iria, um dia, 
Morrer. 

Afinal tudo morre, até mesmo aquele cigarro apagado, ou que se apagou. 
Mas porquê? 

Sofrer por antecipação

Sou uma pessoa insegura, tenho medo de perder, seja uma pessoa ou até numa competição. Costumam confundir a minha insegurança com humildade a mais, não, de todo, não é humildade a mais, é mesmo insegurança. 
Uma insegurança que faz sofrer por antecipação, pensar no futuro, por mais próximo que ele seja, ou até mesmo por mais longínquo que ele se encontre, penso nele, muito mais do que parece, muito mais do que gostaria. 
É certo que o presente é importante, mas não acho que seja o mais importante, pois apesar de ser nele que todos vivemos, um dia, um momento, vamos viver 'no futuro do hoje', e se hoje estamos felizes, e tudo está fácil, ou facilitado, começo a pensar no futuro, afinal, as facilidades e o óbvio não se mantêm constantes no tempo, e de fase para fase, de acontecimento para acontecimento, estas duas variáveis inconstantes tomam outros valores, e essa possibilidade assusta-me. 
Sou eu que conteúdo o futuro, o meu futuro, e são os outros que constroem o futuro deles, que (in)diretamente me afetam, e isso deixa-me incerto, insseguro, afinal, o futuro é mesmo assim, incerto, inseguro, (in)capaz de se modificar. Sofro de antecipação. Mais do que imaginam, mais do que quero, mais do que transmito, mais do que a minha obrigação. Sofro, afogo-me nesse presente que está para vir e com isso Aprendi a respirar debaixo d'Água. 

Benjamin Button - Um poema á maneira dele


tenho saudades do futuro
e esperança no passado
eu moro onde eu quero
eu imagino a memória
como se não a tivesse tido
eu nado para dentro
da barriga da minha mãe
e entrei, já agora,
no caixão que já lá vai
é tudo chão, é tudo agora
só não corro para a frente
é tudo aqui, é tudo nosso
estou aonde puder ser igual
estou aonde pude ser diferente
sou o estranho que neste mundo
tem medo de nascer
o teu berço é o meu caixão
venho do céu para ir ao nada
para o mundo da inconsciência
já tive idade da reforma
e anseio pela chucha
só te enganei na meia idade
a minha pele já sem estar murcha
tocou na tua e não estranhaste
juraste amor até seres velha
foi nessa noite que me abandonaste
não me posso lembrar
porque me tornei assim
defino-me na criança
que não há em mim
até ser novo, a esperar caminho
até desaprender meus passos 
(de mansinho)
vou perdendo a fé em portugal
e ganhando-a, alegre, 
no Pai Natal
- Jónatas Santos Pereira